Roberta Junquilho Rossi
“Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt.22:39b)
Hoje orei por Flávia.
Senti a dor de Flávia, que mora no bairro da Tristeza que, apesar do nome, é bairro nobre. Tinha boa casa, com piscina, churrasqueira, jardim; boa aposentadoria, marido e filho.
Lembrei da pregação de uma irmã que dizia: “nós somos corpo e não multidão, precisamos ser, cada vez mais, CORPO de Cristo!”
Flávia não é minha irmã, amiga, vizinha nem sequer minha conhecida. Ela é minha semelhante, meu próximo. E hoje eu senti amor pela sua vida.
Um dia sonhou com um filho, gerou em seu ventre, acalentou, amamentou. Fez enxoval, decorou o quarto ansiosa em ver a expressão dele, seu rostinho, sua descendência, carne de sua carne.
Imagino a alegria e as fotos quando dos primeiros passos do menino tentando equilibrar-se e caminhando em direção aos braços abertos de sua mãe, porto seguro.
Imaginei o casal vendo o menino jogar futebol, dizer mamãe pela primeira vez, andar de bicicleta, ir à escola, aprender a ler e escrever.
E nesta hora o choro vem, porque lembro do rosto de Flávia hoje na TV. Seus 60 anos, aparentando bem mais que 70. E sinto novamente sua dor…
Ah Senhor, consola Flávia, revele-se a ela, em nome de Jesus! Perdoa Flávia, Senhor Jesus!
Como eu queria que algum irmão tivesse orado por ela, ido até sua casa, lido a Palavra do Senhor em Marcos 9:17-27, que no último versículo diz assim: “Mas Jesus, tomando-o pela mão, o ergueu e ele se levantou.”
Como eu queria que ela tivesse experimentado antes de tanta dor o milagre de rever seu filho outra vez. Liberto e erguido pelo Senhor Jesus.
Porque o homem de 24 anos que avançou em Flávia no churrasco de domingo da família e a atacou com um saca rolhas, disposto a matá-la não era mais seu filho. Chegou a atingi-la no braço.
Há 10 anos ele não via mais nos belos olhos verdes na sua frente o amor de sua mãe. Ele não a reconhecia mais.
E Flávia tentou, por muitos anos encará-lo e dizer: “Tobias, é a mãe, eu te amo, filho, por favor, volta pra mim! “
Ela começou a perder seu filho aos 14 anos de idade. Tobias faria 25 anos alguns dias depois.
Flávia já não dormia, não cantava, não tinha esperanças, não sei nem se cria mais em Deus…
Disse na TV que pra ter uma noite de sono tinha que ir pra casa de vizinhos, as olheiras e cansaço em seu olhar provavam isto.
Ah Senhor Jesus, derrama o teu bálsamo sobre o coração de Flávia!
Naquele dia ela fugiu e num ato de total desespero, pânico e insanidade; correu e achou a arma calibre 44, da coleção de seu marido e disparou contra o homem que a atacava. Dois tiros no pescoço e o homem caiu. Chegou sem vida ao hospital.
E Flávia viu cair no chão o corpo do filho que tanto amou. Enterrou o seu corpo, confessou o crime e derramou sua dor para o mundo todo sentir.
Responderá ao processo em liberdade. Que liberdade, penso eu? Que maior cadeia no mundo pode ser pior do que a que essa mãe vivia e viverá??
Flávia disse, aos prantos, ao final da entrevista: “Eu vou lutar! Para que não tenha sido em vão, para que outras vidas não sejam tragadas pelas drogas”.
Ah, Flávia, tenho uma palavra pra você, espero alcançá-la em oração: “Ao que lhe respondeu Jesus: Se podes! Tudo é possível ao que crê.”(Mc.9:23)
Sinto a dor de Flávia nesta noite, intensamente, e são tantas mães que perdem seus filhos para as drogas.
Principados e potestades que agem vorazmente roubando as famílias, filhos e filhas, pais e mães, buscando quem possa tragar!
Mas eles não vencerão, Flávia, creia no Senhor Jesus e serão salvos tu e a tua casa!
Senhor , que Tobias tenha se arrependido a tempo de ser entregue em Tuas mãos.
Salva Flávia e a sua casa, que ela possa descobrir a Tua bondade e misericórdia, ter um encontro contigo, Jesus!
Que ela possa, finalmente, dormir descansada em Seus braços de perdão e paz…
A Paz de Cristo, Flávia.