Roberto Junquilho

A divulgação pela imprensa de mais um escândalo envolvendo lideranças políticas e empresariais de peso no cenário nacional, no último final de semana, 27 de março, demonstra que o telhado de vidro é gigantesco e atinge pessoas e instituições que deveriam servir de exemplo para os demais cidadãos. O fato mais grave aponta para partidos políticos e traz à tona o chamado caixa dois, doações fraudulentas para campanhas eleitorais, ponto vergonhoso da política nacional que ninguém tem coragem de atacar, porque a grande maioria se beneficia.

A população ainda se lembra do “mensalão”, que atingiu o Partido dos Trabalhadores do presidente Lula, resultou na cassação do ex-deputado José Dirceu e ameaçou a continuidade do atual governo. Agora, com o “Camargão”, os opositores do governo aparecem como acusados, numa demonstração de que a estrutura política/partidária do país necessita com urgência de uma reforma que venha acabar com essa podridão. A Bíblia pergunta no livro de Jó 34:17: “Pode governar o que aborrece o direito¿”.

Os fatos

A imprensa noticiou: Investigações do Ministério Público Federal e da Política Federal, na operação denominada “ Castelo de Areia”, apontam que a construtora Camargo Corrêa, uma das maiores do país, é suspeita de remessa ilegal de dólares para o exterior, superfaturamento em obra pública, doação ilegal para partidos políticos e lavagem de dinheiro. A empresa nega as acusações, que resultaram na prisão, dia 27, de diretores e funcionários graduados da empresa e de doleiros, que foram libertados no dia 28 de março.

Escutas telefônicas apontam que a empreiteira fez doações ilegais a partidos, segundo a polícia. O relatório da PF cita PSDB, DEM, PPS, PSB, PDT, PMDB e PP, que negam o chamado caixa dois. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) é apontada na investigação como intermediária das doações da empresa a políticos. A Fiesp nega.

Em 2 Sm. 23:3, diz a Bíblia: “Quando o justo governa sobre os homens, quando governa no temor de Deus, é como a luz da manhã ao sair do sol, de uma manhã sem nuvens, como o esplendor depois da chuva que faz brotar da terra a erva”.

Apesar de mudanças significativas no cenário político, o país ainda carrega o ranço do coronelismo, símbolo do atraso, da casa grande e senzala. Se assim não for, como explicar a eleição, sob o patrocínio do governo federal, do ex-presidente José Sarney para a Presidência do Senado e do deputado Michel Temer para presidir a Câmara¿ E o retorno de Jader Barbalho e o triunfalismo do ex-presidente Color de Melo, agora senador¿

Em 2 Pe 2.18 assim está escrito sobre os enganadores: “Pois proferem palavras arrogantes de vaidade, e nas concupiscências da carne engodam com dissoluções aqueles que estavam prestes a fugir dos que andam no erro”. (19): “Prometem-lhes liberdade, sendo eles mesmos escravos da corrupção; porque de quem um homem é vencido, do mesmo é feito escravo”.

Esses fatos tornam atual mais do que nunca a afirmação do Senhor Jesus registrada em Mateus 24:27, quando ele fala sobre a classe política de sua época: “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas. Sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos, e de toda imundícia”.

As eleições se aproximam e a campanha política está em curso. É preciso muita oração, pois somente assim é que o Senhor revelará quem Ele quer exercendo o poder. Para que isso ocorra devemos exercitar a visão espiritual, a fim de não sermos enganados, principalmente por aqueles que se dizem “candidatos dos evangélicos”, mas na realidade não são evangélicos. Isso porque “feliz é a nação cujo Deus é o Senhor”. A Ele, toda a honra, toda a glória, agora e para sempre.

Publicado em 28.03.09